Beneath The Roses – A Fotografia de Gregory Crewdson

Posted on novembro, 2014

A série Beneath The Roses (2003-2008) fez com que Crewdson fosse verdadeiramente conhecido e aclamado. Fotos em alta escala e elaboradas como se fossem cenários, que já foram descritos como micro épicos que exploram o lado dark da psique. Pudemos apreciar algumas dessas fotos da série Beneath The Roses, no Museu da Imagem e do Som na exposição Maio Fotografia no MIS 2014.


Gregory Crewdson, nasceu em 1962 em Park Slope, NY. Seu pai, um psicanalista, tinha um consultório no porão da casa, onde George observava os pacientes nas suas idas e vindas. Era sempre advertido para ficar quieto e longe nesses horários. George conta que  sempre tentava ouvir as sessões através das tábuas do assoalho, o que aguçou muito a sua imaginação. Quem eram as pessoas com quem seu pai conversava? O que elas estavam dizendo? As perguntas estavam lá, mas nunca havia respostas. Ele diz que seu pai  teve uma tremenda influência no seu desenvolvimento e suas fotos já foram, antes de existirem, moidas e  trituradas nesse lado do psiquismo.Não sabemos exatamente o que suas imagens dizem,  ele diz que também não. Ele quer  “o momento”  e que ele  exista apenas  como um momento, puro,  cristalizado… sem nenhuma história por detrás, nenhuma narrativa.

Nesse momento que foi delimitado, sem o antes e o depois  é que ele vai colocar a força no que está ali representado.

Like a story that is forever frozen in between moments, before and after, and always left as a kind of unresolved question.
Gregory Crewdson

Trabalha como se fosse um Diretor de Cinema, liderando uma equipe de produção com diretor de fotografia , efeitos especiais, equipe de iluminação, atores e diretor de atores. Ele usa sets de filmagem e locações nas diversas cidades, um processo realmente cinematográfico.

As fotografias de Crewdson são feitas em pequenas cidades americanas, mas com uma contundente dramaticidade e cinematografia. Ele explora a intensa banalidade óbvia desses lugares e os transforma em cenas de mistério e fascinação.  A angústia e seus dramas que se desenrolam em ambientes cotidianos estão tangíveis.

Percebemos e reconhecemos cenas de Vertigo, Blue Velvet influenciando o seu estilo e suas fotos também nos remetem a Edward Hopper e às fotografias de Walker Evans e Diane Arbus.

Está visível o pesadelo da classe média americana: nada é claro, ordenado, idílico ou romântico.Suas fotos hiper realistas revelam o limbo claustrofóbico e o abismo da repressão espiritual que consagram  um  subúrbio típico.Solidão, alienação, apatia, resignação, mistério, desejo, contemplação e confusão , memória e imaginação estão Por Baixo das Rosas.

Uma mulher sentada na cama, um quarto com papel de parede. Há um telefone, uma prescrição de um remédio perto do abatjour. Seu longo cabelo está escovado para trás, faixas de luar que passam pelas cortinas iluminam o estampado da sua camisola e uma pequena tatuagem no seu braço. Enrolado dormindo na cama está um bebê, a cabeça da mulher está voltada para a criança. Mas sua expressão não é nítida, não é clara. Pode ser um ar de ressentimento e exaustão, de alienação e desespero. Ela, a mulher, é uma história, plena de possibilidades e esperando para ser contada.

É assim o poder da fotografia de Gregory Crewdson, ele cria mundos com escalas cinematográficas e uma atenção obsessiva nos detalhes como um cineasta o faria. Muitas vezes trabalha por semanas ou mesmo meses para capturar um momento perfeito da câmera.

 

Artigo de Claudia de Andrada Tostes Vinhaes Grosso
Imagens: Reprodução

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Beneath The Roses – The Photography of Gregory Crewdson

Posted on novembro, 2014

The Beneath The Roses series (2003-2008) made Crewdson truly known and acclaimed. High-scale photos and elaborated as if they were scenarios, which have been described as micro epics that explore the dark side of the psyche. We were able to enjoy some of these photos from the Beneath The Roses series at the Museum of Image and Sound at the May Photography exhibition at MIS 2014.


Gregory Crewdson, was born in 1962 in Park Slope, NY. His father, a psychoanalyst, had an office in the basement of the house, where George watched the patients in their comings and goings. He was always warned to be quiet and away at these times. George says that he always tried to listen to the sessions through the floorboards, which sharpened his imagination. Who were the people your father was talking to? What were they saying? The questions were there, but there were never answers. He says his father had a tremendous influence on his development, and his photos were, before they were, ground and crushed on that side of the psyche. We do not know exactly what his pictures say, he says he does not either. He wants “the moment” and that it exists only as a moment, pure, crystallized … with no history behind, no narrative.

In that moment that has been delimited, without the before and after is that it will put the force in what is represented there.

Like a story that is forever frozen in between moments, before and after, and always left as a kind of unresolved question.
Gregory Crewdson

He works as if he were a Film Director, leading a production team with director of photography, special effects, lighting crew, actors and director of actors. He uses film sets and locations in the various cities, a really cinematic process.

Crewdson’s photographs are made in small American cities, but with compelling drama and cinematography. He explores the obvious obvious banality of these places and turns them into scenes of mystery and fascination. The anguish and its dramas that unfold in everyday environments are tangible.

We perceive and recognise scenes from Vertigo, Blue Velvet influencing his style and his photos also refer us to Edward Hopper and the photographs of Walker Evans and Diane Arbus.

It is visible the nightmare of the American middle class: nothing is clear, ordered, idyllic or romantic. Its hyperrealistic photos reveal the claustrophobic limbo and the abyss of spiritual repression that consecrate a typical suburb. Solidão, alienation, apathy, resignation, mystery, desire , contemplation and confusion, memory and imagination are Beneath the Roses.

A woman sitting on the bed, a room with wallpaper. There is a telephone, a prescription for a remedy near abatjour. Her long hair is brushed back, moonlight bands that go through the curtains illuminate the print of her nightgown and a small tattoo on her arm. Curled up sleeping in bed is a baby, the woman’s head is facing the child. But his expression is not clear, it is not clear. It may be an air of resentment and exhaustion, of alienation and despair. She, the woman, is a story, full of possibilities and waiting to be told.

This is the power of Gregory Crewdson’s photography, he creates worlds with cinematic scales and an obsessive attention to detail as a filmmaker would. Often works for weeks or even months to capture a perfect moment of the camera.

 

Artigo de Claudia de Andrada Tostes Vinhaes Grosso
Images: Reproduction

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